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Luís Roberto de Francisco*
2010 é o ano em que o Museu da Música – Itu, criado
em 2007, tem dedicado mais tempo e recursos para a preservação
e divulgação da memória da música local. Seu
acervo, formado por partituras, documentos, instrumentos musicais está
sendo organizado por uma equipe de profissionais voluntários.
Os museus, lugares de manutenção da cultura, das atividades
das sociedades, do legado deixado por gerações passadas,
que nos permitem conhecer as raízes do que somos hoje são
lugares de estudo, de visita, de promoção de eventos, encontros
que renovam nosso contato com a identidade cultural.
O Museu da Música – Itu tem se esforçado para ser
um museu vivo, atuante, cujo acervo esteja preparado para pesquisa, para
ser revelado à comunidade através de exposições,
palestras, encontros culturais, ações educativas, entre
outras atividades.
As coleções de partituras, em processo de organização
logo estarão completamente prontas para utilização
de músicos e pesquisadores, para a comunidade aprender mais, para
rever seu passado, conhecer o que ainda não lhe foi revelado.
Em 2010 duas mostras foram abertas, A música na Igreja Matriz de
Itu, em novo espaço, que relata mais de 300 anos do canto coral
na cidade, e A Noite de São João, 150 da primeira ópera
brasileira, que traz minúcias sobre a obra com a qual o nosso Elias
Lobo estreou a música lírica em português, no Brasil.
Três concertos, com obras de músicos de Itu foram realizados,
neste ano, durante a Semana Santa – A Paixão Segundo Itu,
com patrocínio da empresa INDEMETAL e durante as cerimônias,
o Ofício de Trevas (com a obra Matinas de Quarta-feira santa, de
Tristão Mariano da Costa) e a Procissão de Passos, com os
motetes de José Mariano da Costa Lobo, ambos apresentados pelo
Coral Vozes de Itu com patrocínio do próprio Museu da Música
– Itu.
Quatro concertos foram marcados para divulgar a obra Matinas do Menino
Deus, do Padre Jesuíno do Monte Carmelo, patrimônio cultural
brasileiro, em processo de tombamento, evento que reúne 50 músicos,
entre coro, orquestra e solistas, em Itu, Sorocaba, São Paulo e
Santos. Esta ação cultural, que parte do Museu da Música
– Itu com apoio absoluto do SESC Sorocaba é o investimento
de recursos e trabalho pelo reconhecimento do patrimônio musical
pela sociedade atual.
Em maio, durante a VIII Semana Nacional de Museus, nosso museu realizou
o Encontro Arte Colonial Ituana: a obra de Jesuíno do Monte Carmelo,
evento inédito, que reuniu os maiores especialistas (USP, UNICAMP,
IPHAN e do próprio Museu da Música – Itu) na obra
do Padre Jesuíno, talvez o mais dinâmico artista do período
colonial paulista, com obras em Santos, Itu e São Paulo. Esta é
uma ação educativa que contou com a participação
de mais de duzentas pessoas, entre universitários e comunidade.
O apoio do SINCOMÉRCIO – ITU tem sido fundamental pela cessão
do espaço e colaboração do seu pessoal. O encontro
trouxe reconhecimento sobre a obra de arquitetura, pintura e música,
do Padre Jesuíno, figura que merece destaque na história
da arte brasileira.
Trazer o público ao museu é uma tarefa mais difícil,
porque nós, brasileiros, não estamos habituados a esta atividade,
porque as possibilidades de mostra do acervo ainda são limitadas,
pelo espaço exíguo e condições materiais de
exposição. Portanto as ações educativas revelam-se
as atividades mais competentes para promover o contato entre jovens estudantes
e seu patrimônio musical.
Trazer alunos ao museu sem previamente discutir com eles o significado
do acervo e o que eles podem aprender, não faz sentido, não
permite que o estudante se integre ao patrimônio, naquele processo
olhar/ver/enxergar, neste caso, também ouvir/escutar/entender.
Um projeto educativo desenvolvido pela equipe do museu, que será
realizado a partir de agosto/2010 com escolas públicas estaduais
de Itu, promoverá este primeiro passo na ligação
entre jovens estudantes e o acervo musical ituano, enquanto patrimônio
imaterial. O projeto, inteiramente patrocinado pelo próprio Museu
da Música- Itu, faz dele uma instituição atuante,
dinâmica, com amplo compromisso social e cultural, diminuind o a
distância entre a população e o patrimônio que
precisa ser revelado. Reduzir a alienação e permitir o acesso
ao passado é criar meios para que aquilo que vemos e ouvimos faça
tenha significado para nós.
Aqui não há outro recurso e vontade que não seja
dos associados do Instituto Cultural de Itu, associação
cultural sem fins lucrativos, única mantenedora deste museu.
*Coordenador de Acervo e Documentação do Museu da Música
– Itu.